— Obviamente não
Mas acontece que são exatamente essas as emoções cultivadas pelo atual sistema de educação ambiental.De acordo com a The Conversation Education, o impacto das mudanças climáticas na saúde mental vem recebendo cada vez mais atenção, especialmente no contexto dos efeitos sobre os jovens. O projeto Compass — uma iniciativa conjunta da Universidade de Oxford e do Imperial College London — investigou como a integração de princípios da psicologia à educação climática pode preparar melhor a nova geração para o futuro.
A epidemia da ansiedade climática
Pesquisas com mais de 200 estudantes de 16 a 29 anos e seus professores em instituições de ensino da Inglaterra mostraram que a abordagem atual não está funcionando. Os alunos se sentem desconectados da solução do problema: não enxergam sua própria importância nem sua capacidade de influenciar a situação. Isso cria uma barreira praticamente intransponível para a aprendizagem, levando ao sofrimento emocional e à perda de interesse.
Os jovens vivenciam medo, culpa, raiva e sensação de impotência. Muitas vezes, os programas educacionais acabam apenas intensificando essas emoções negativas. Os estudantes reclamam que são constantemente sobrecarregados com estatísticas sobre extinção de espécies e catástrofes ambientais, o que reforça o sentimento de frustração. Além disso, entre os jovens, registra-se um alto nível de estigma em relação aos problemas de saúde mental e de passividade, o que dificulta a criação de comunidades locais de apoio. Pesquisas mostram que as mudanças climáticas podem levar à depressão, à ansiedade e ao transtorno de estresse pós-traumático em crianças e adolescentes.
Professores sem orientação
Os educadores relatam falta de tempo, recursos e qualificação. Eles estão dispostos a abordar as mudanças climáticas, mas têm receio, com razão, de desencadear crises de ansiedade incontroláveis em seus alunos. Os professores acabam tendo de lidar sozinhos com reações emocionais complexas da turma, sem dispor da base metodológica necessária nem de apoio institucional.
Dos fatos frios à resiliência emocional
Os pesquisadores concluem que o processo de ensino precisa de uma reforma profunda. Os estudantes precisam de apoio para lidar com suas emoções e de oportunidades para participar de ações coletivas reais em defesa do meio ambiente. O envolvimento prático em projetos significativos reduz o medo e devolve aos jovens a sensação de controle sobre a situação. De acordo com o relatório da Climate Central, participar de ações coletivas de combate às mudanças climáticas pode reduzir os níveis de ansiedade e aumentar a sensação de agência entre os jovens.
Como destaca a The Conversation Education, mudanças sociais em grande escala só são possíveis quando se levam em conta as emoções e crenças que orientam o comportamento das pessoas. Entender essas conexões e investir em práticas educacionais voltadas ao desenvolvimento da resiliência emocional é uma condição fundamental para preparar os jovens para viver em um mundo em transformação. Hoje, a tarefa da educação é reduzir o medo do futuro e oferecer aos alunos ferramentas práticas para evitar o esgotamento.